Avaliação – Mês 2

Avaliar o segundo mês é ainda mais difícil que o primeiro e deixe-me dizer o porquê. É mais difícil porque pouca coisa mudou nos últimos 30 dias. Ao mesmo tempo muita coisa está diferente, adaptada. Confuso? Então entenda: continuamos na mesma casa, marido continua nas aulas, meninas continuam em casa comigo. Mas agora já me sinto em casa, agora marido tem a sua rotina de aulas e estudos, agora as meninas já não parecem sentir falta da escola. Será isso tudo assim mesmo?

Nossa casa: o apartamento é super bem dividido e super fácil de manter. Estou adorando morar nele, que fica num condomínio ótimo. Me sinto segura. E, pasmem, não sei se gostaria de morar em um lugar maior. Enquanto estivermos nos EUA? Não, pessoas, não sei se gostaria de morar em um lugar maior em qualquer outra fase da vida. Enlouqueci? Claro que um terceiro quarto viria a calhar para as visitas (nem vou mencionar o fato delas dormirem separadas porque acho que isso não vai acontecer pelos próximos 8 anos, pelo menos). Claro que uma cozinha com ilha ajudaria na preparação das refeições. Claro que mais sofás tornaria a sala mais confortável. Sim, tudo isso. Mas o que eu quero dizer é que o que eu tenho me basta. Sei que se acostumar para mais é fácil (mais quartos, mais banheiros, mais salas), mas eu não imaginei que fosse tão fácil me acostumar para menos também. O que eu sinto falta? De uma garagem. O prédio tem garagem, mas queria uma garagem particular, um quartinho, sei lá. As bicicletas ficariam melhor acomodadas, bem como o novo jeep que queremos comprar para elas. E talvez um jardinzinho. Tá, a casa já tá crescendo, né? Mas um apartamento térreo em alguns prédios tem aquela varandinha/gramadinho, sabe? Queria para colocar uma cama-elástica. Elas amavam a delas e aqui é tão baratinho…

Nossa cidade: a cidade é mínima e uma graça. Não medi, mas deve ter uns 6km de comprimento e 1km de largura. Sério. É uma tripa beira-rio. E muito fofa, bem cuidada, segura. Tem bastante coisa do que a gente precisa. Tem 5 mercados ótimos, ótimos, ótimos. Tem bancos. Farmácias. Lojas de roupas, presentes, eletrônicos. Tem alguns bons restaurantes. E tem rotas alternativas para todas as outras cidades ao redor. Essa é uma das maravilhas americanas que eu adoro, as cidades são grudadas umas nas outras. Não é que você sai da cidade, anda um tempão na estrada até chegar em outra cidade. Não. Você está dirigindo na cidade, comércio, normalmente e, de repente, já é outra cidade. Assim fica muito fácil ir ao shopping duas cidades à frente, ir ao restaurante da cidade ao lado, ir ao DMV/Detran três cidades para lá. E isso é muito bom!

Nossos passeios: claro que ainda temos um bocado para conhecer ou rever em Manhattan. Mas acho que os pontos principais (que acomodam criança bem) já foram visitados. Ainda falta meu post sobre o Empire State, que fui com as meninas há 11 dias. E falta visitar alguns parquinhos do Central Park. E o MoMA. Mas o resto é bom para ir sem crianças. Não dá pra ir ao Metropolitan nem ao Guggenheim, os dois que eu também acho bárbaros. Até dá pra ir, mas nem elas nem nós aproveitaríamos. O que nos resta? Andar, e isso é o que NYC tem de melhor. Mas andar com elas tem que ser em doses homeopáticas. E com muita paciência porque elas se cansam de passeios que não as atraem. Então acho que caímos da rotina de moradores da cidade, não somos mais turistas.

Eu: eu, simplesmente, adoro estar aqui. Adoro. Já passou a fase da adaptação. Já sinto medo das saudades que sentirei quando formos embora para o Brasil. Adoro os EUA em geral, não estou dizendo que adoro morar em NJ especificamente. Eu moraria em qualquer estado. O que eu adoro é a praticidade e a facilidade da vida aqui. Adoro que tudo é acessível. Você pode comer bem, pode passear bem, pode comprar o que quiser. O que muda de um podre-de-rico? Ele pode comer em restaurantes estrelados, passear de carrões e comprar produtos de melhor qualidade. Mas todo mundo pode tudo. Só muda o nível. Não é brincadeira. Como a intenção inicial não é ficar aqui pra sempre não compramos nada super caro porque não precisamos de produtos que durem pra sempre. E com isso o preço chega a ser ridículo. Compramos uma sanduicheira por 9 dólares. Uma torradeira por 7. Um liquidificador por 12. E são novos e bons, juro! Não são top de linha, não são de marcas fenomenais, mas são o necessário para vivermos bem aqui nesse tempo. Para um salário mínimo de 9,19 dólares por hora, qualquer um pode ter qualquer coisa, não?

Nossas filhas: As meninas continuam sem ir para a escola. Tínhamos achado uma que eu tinha aprovado. Depois de um tempo passei a não aprovar. Louca varrida? Nunca dei bola para intuição, mas não estava me sentindo confortável com elas lá. Escolher uma escola baseada no preço não é a melhor opção. Tá certo que estamos com orçamento estudantil, mas é muito mais por escolha nossa do que por necessidade. O que eu quero dizer é que se precisarmos meeeeesmo, temos de onde tirar. E a educação delas, sem dúvida, é uma de nossas prioridades. Então, aproveito para ficar mais com elas em casa – que eu estou amaaaaando, e demoro mais um pouco para achar uma escola! Hahaha (Hoje, por exemplo, montamos cabaninha, fizemos unhas, cortamos cabelo, desenhamos, brincamos de Barbie e montamos quebra-cabeça. Tem coisa melhor que passar um dia de pijama brincando com as crias?)

Então o que posso dizer? A avaliação, até agora, é positiva. Teve um dia que eu tive um momento de baixa, de saudades, de vontade de voltar no tempo e voltar para a casa antiga e à vida que tínhamos. Mas não durou nem um dia inteiro. E não posso negar que a visita dos meus pais (e tio) foi uma recarga de energia! A semaninha, que voou, com eles foi uma delicia e vi que se as visitas forem constantes, não sentirei falta de nada. Nada. E poderemos aproveitar, maravilhosamente bem, nosso tempo aqui! Ou seja, pessoas, venham nos ver!!

Ah! As fotos são de hoje na cabaninha e os pijamas pós-banho! Lia feliz porque se vestiu sozinha! (A foto da capa é do dia que alimentamos os patos!)

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4 pensamentos sobre “Avaliação – Mês 2

  1. Flavia… momentos de saudades aparecerao mesmo em celebracoes grandes, onde a familia se reune e a gente estah la longe….
    A minha volta p o Brasil foi no momento certo e, com certeza, valeu a pena. Esse ultimo ano… ja imaginou se eu estivesse nos EU?! Mas… ando sentindo falta da civilizacao, do progresso, da educacao, das ruas limpas, de nao ver ninguem jogando lixo pela janela do carro, de ver vagas para deficientes, idosos e gravidas ou maes com criancas pequenos sendo ocupadas pelas pessoas certas. de ver motos nas estradas/ruas ocupando seu lugar e respeitando as leis de transito, a variedade de opcoes de comida e lanches nos supermercados, os precos…. Sei que nao ajuda eu ter me mudado para Sete Lagoas (pqp mil vezes – detesto).
    ADORO o seu blog e ainda mais por reviver tantas lembrancas boas….
    Espero q nao precisem “any time soon,” mas quando for ao medico… leve uma lista do que quer perguntar. Embora os medicos sejam, de um modo geral, bons, eh atendimento em serie!!!! Agora, se, de repente, vc puxa uma listinha, ai eles se sentam para responder as suas perguntas!!!
    Dica para atendimento ruim: raise your voice! Eles tem pavor de escandalo e resolvem o problema rapidinho. Pode prestar atencao, aprendi isso com os americanos – se vc estah certa e eles nao estao te levando a serio, eh so comecar a falar mais alto!!!! Triste, ne?!! hahaha
    Beijos

  2. Flavia, que delícia seu blog! Agora, me deixou curiosa… qual cidade vc esta morando? Meu cunhado mora em Secaucus e parece com a sua descrição! bjs

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