E o seu 2013, como pode ser avaliado?

Eu, como a maioria dos seres humanos, faço um balanço anual da minha vida em dezembro. Eu tenho feito mensalmente, vocês bem sabem, mas o anual é sempre mais rico. E o balanço de 2013 é dos mais ricos (em quantidade, não sei se em qualidade) de acontecimentos na minha vida. Tem sido um ano marcante. Mas não só isso, falta-me a palavra certa para definir o ano que tem sido bitter-sweet, que tem tido os pontos mais altos e mais baixos dos últimos anos.

O ano teve, claro, seu ponto alto na nossa mudança para cá. É um sonho sendo realizado. Mas a mudança para cá não foi uma simples mudança, como tantas outras que fiz na vida, até mesmo como a outra vez que morei em NY, ainda na adolescência. Naquela ocasião eu era adolescente e meus pais eram responsáveis por tudo, mas mais do que isso, deixamos a nossa casa inteirinha no Brasil, do jeitinho que estava quando voltamos. E desta vez não, desta vez além da mudança, que já é enooooorme, teve o desapego. E pode parecer fácil, mas não é. Imaginem-se doando 95% das coisas que você tem. Doando 3 caçambas de D-20 LOTADAS para uma só pessoa (no caso para a nossa super mega maxi ultra importante empregada, foi a doação mais justa e merecida.). Doando TODAS as suas roupas de cama/mesa/banho. Ou vendendo, vendendo seus sofás, suas camas, sua mesa, suas geladeiras, seu fogão, etc. Gente, é muito mais difícil que parece. Até porque nós não nos “desapegamos” porque tínhamos outras esperando, não “desapegamos” porque tínhamos sobrando. Foi porque não tínhamos ONDE guardar, COMO guardar, muito menos como trazer. E foi barra. E até hoje me pego pensando numa coisinha ou outra que eu não queria ter me desfeito…

Tem todo o lado positivo da mudança para cá. E para mim é, basicamente, positivo, poucas são as coisas que eu não gosto. Hoje falei com o Otávio que o que eu mais sinto falta do Brasil é a comida pronta. Não comida pronta=congelada ou nada parecido, mas ter comida pronta todos os dias na hora das refeições. Eu mal sinto falta de faxineira, muito menos de passadeira. Sinto falta da comida. Eu não sou uma exímia cozinheira e acho uma enorme perda de tempo e dedicação ficar cozinhando. Não me entendam mal, acho bárbaro quem gasta tempo e energia e faz uma coisa deliciosa, mas não é o meu caso. E perder mais de uma hora cozinhando para ter uma comida mediana é chato pra caramba. Nem reclamo de lavar, a lava-louças deixa tudo nos trinques. O chato mesmo é o cozinhar, é inventar, etc. De-tes-to. Então para mim foi uma enorme perda não ter ajuda diária. E olha que nem vou entrar no mérito da ajuda em cuidar das meninas porque assim que elas estiverem na escola esse problema será resolvido, mas a comida… Socorro!

Mais uma vez tentarei falar das coisas positivas da mudança… Juro que elas existem! Hehe Eu adoro estar aqui, adoro estarmos só nós quatro. Estou na fase de ver diariamente Parenthood, uma série que até passa no Brasil e eu já tinha visto uns episódios. São quatro filhos adultos, os pais deles e os filhos deles. Enfim, uma família enorme, super participativa, super legal. Acho mais legal que Brothers and Sisters, mas é nos mesmos moldes. E é muito legal aquela família toda se ajudando, participando da vida um do outro e tal. Mas acho que não é pra mim. Eu não suportaria tanta intromissão, tanto palpite. E essa é uma das grandes vantagens de estarmos longe. E eu adoro o modo de vida americano, adoro que as crias estão tendo nossa total atenção, adoro que estamos dando uma oportunidade única a elas. Adoro. Adoro. A mudança para cá é o ponto alto de 2013, sem dúvida.

Tive duas perdas inestimáveis. Pessoas que eu amava e que eram muito importantes e especiais para mim. Meu avô já estava doente há vários anos e era sabido que, mais dia menos dia, ele partiria. Mas estar longe dificulta bastante a aceitação da perda porque parece que nada mudou, até porque eu não estive presente nem no velório. Perder a minha madrinha foi um baque. Ela estava doente há quase um ano, mas sempre levando, até os últimos 3 meses, quando ela piorou. E foi bem brabo. Foi muito rápido, ela era muito nova e ainda custo a acreditar. Dói. Morávamos em cidades diferentes, não éramos unha e carne, mas é muito triste e muito estranho. Essas duas mortes acinzentam o ano em grandes proporções.

Por isso não sei ser exata na qualificação do ano. Não tem sido o melhor ano da minha vida, mas não tem sido o pior. Tem sido um dos mais importantes, isso é fato. O ano passado foi morno, absolutamente morno. Mudamos do apartamento para a casa, o que melhorou a nossa qualidade de vida em Bauru. E só. Marido e eu tivemos um ano meio azedo. Não trabalhei, não tive outro filho. Não tive nenhuma grande perda. E não teve nada de excepcional. 2012 será um ano que se perderá no tempo. Mas não 2013. 2013 tem sido um ano marcante, inesquecível, em todos os sentidos. E, lembremo-nos, ainda tem uma grande viagem e, para não perdermos o costume, mais uma mudança em dezembro! Vamos que vamos!

Fotos: os bonecos do Chuck que elas ganharam e amaram; a praia delas (elas que inventaram de colocar maiô E usar as cobertinhas como água e areia! Bem criativas! — A Marina implorou para ir à praia e quando eu disse que estava frio ela me vem com “mas eu ponho casaco, mãe, não tem pObEma!)!

20131204-220640.jpg

20131204-220656.jpg

20131204-220720.jpg

20131204-220730.jpg

20131204-220740.jpg

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s