Pintaram tudo de cinza…

O mundo não é mais cor-de-rosa. Aliás o mundo não tem cor alguma, apagaram tudo, pintaram tudo de cinza… (Sábia Marisa!) É, as coisas andam bem mais difíceis do que pensávamos, sonhávamos ou temíamos. Não é desesperador (Ainda!!!). Mas não está legal. E o que não está legal? Foi esta a pergunta que o Otávio me fez hoje e assim respondi, meio vago, mas me fiz entender.

Estou me sentindo completamente desamparada, uma solidão sem fim. Não por culpa dele, ou minha, estamos muito próximos um do outro e das meninas, mas, como é notório e sabido, é necessária uma vida social. E não falo de baladas, nada do gênero. Não saímos assim há muitos anos. Aliás, mal íamos ao cinema, era um jantar fora de vez em quando. Mas sinto falta de qualquer contato social, qualquer interação, juro. Hoje falei que sentia falta da vizinha (uma senhora muito falante e simpática de uns 60 anos), falta dos encontros com as nossas famílias, no Brasil víamos a dele umas 2x/semana e a minha todo mês. Sinto falta dos poucos amigos que temos, mas que nos são muito especiais e dos quais nos vemos/sentimos tão distantes. Sinto falta de ouvir caso dos outros, de conversar. Sinto falta de rir com a minha empregada. Eu só tenho informações do mundo pela tv e internet e pelo casos que o Otávio me conta das aulas dele. Não me entendam mal, amo de paixão meu marido e minhas filhas, mas ando completamente sozinha.

Sinto-me desamparada como um todo. Não tenho um médico de confiança. A Marina passou um final de semana do cão com tosse e dor de garganta. E nós a medicamos conforme fomos orientados pelo pediatra do Brasil, felizmente trouxemos uma farmacinha e tem nos ajudado. Mas não tenho uma alma viva para ligar. Sei que isso só se tem com o tempo. Mas mesmo morando em Bauru, se elas estavam muito doentes nós corríamos para um pediatra em Marília ou outro em São Paulo. E tínhamos sempre o apoio da família, claro.

Sinto também muita dificuldade com a adaptação delas na escola. A princípio pensei que seria difícil, mas achei que tiraria de letra, afinal já passei por isso com a Marina antes. Mas não, está sendo bastante complicado. A Marina chora horrores, não é um chorinho, é um choro desesperado quando a deixamos lá. E elas não falam uma só palavra por todo o tempo que ficam na escola. Já pensaram nisso? Crianças caladas por 5hs? Imaginem o sofrimento delas? E por que? Pra que? Eu aprendi inglês na adolescência e pronto, não tenho nenhum prejuízo na vida por isso. Pelo contrário, aprendi bem aprendido e tive várias oportunidades profissionais por conta do inglês que não veio da infância. (Tive contato quando criança em uma escola que era irlandesa e ensinava inglês na mesma frequência/intensidade que português, mas isso também poderíamos oferecer às meninas no Brasil.) Por que não evitar o sofrimento delas? Todos os pais do mundo querem evitar os sofrimentos dos filhos e nós não somos exceção, claro que não. Elas sofrerão muito na vida, seja por mágoas com amigos, namorados, perda de emprego, repetir ano na escola, morrer animalzinho de estimação, morrer ente querido, etc. Sofrimentos que nós NÃO podemos evitar, mas esse de agora sim, este poderia ser evitado.

Enfim, como dizia Chico “mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”…

Hoje, afirmo, que só não volto para o Brasil por dinheiro. Já gastamos muito dinheiro aqui (mas nem metade do que gastaremos) para mudarmos o rumo. Tenho certeza que se eu ganhasse na Mega (ou minha mãe, quem sabe?) eu iria embora na mesma hora. E não precisa ser nenhuma fortuna, pode ser só o que gastamos. Imagine que não temos um único móvel para uma casa no Brasil (só isso já é um gasto absurdo, até pq ainda não abriram Ikea por aí, né? Hehe). Imagine que não temos carros. E, agora, também não temos mais a nossa reserva financeira intacta.

Claaaaaro que ficando aqui teremos o curso do Otávio (que além de mais conhecimento deve abrir mais portas para ele), teremos filhas fluentes em inglês com o cérebro ainda esponja tendo absorvido a língua, teremos a experiência, teremos… O que mais? Hahaha Notem que ando com uma nuvenzinha sobre minha cabeça! E, quem me conhece sabe, eu sou super otimista!

Gente, experiência de morar nos EUA eu já tenho. Eu morei aqui de 1992 a 1994. Tá, eu não era mãe de família? Ok, já moramos aqui há 6 meses e o que mais podemos aprender/conhecer? Não estou falando de lugares, passeios, estou falando da vida aqui…

Não pensem que estou de mal dos EUA, de jeito nenhum, amo loucamente esse lugar e não nego. Mas, acho que amo como turista. Ou amaria para morar se eu tivesse mais gente nossa aqui. Quero vir para cá uma vez ao ano, pelo menos, para o resto da vida! (Melhor dizendo, assim que tivermos vida financeira estável novamente, claro!)

E não tenho muito o que fazer, não posso trabalhar por causa do meu visto (juro que se eu pudesse eu iria, nem que fosse pra ser chapeira no Mc, só pra ouvir/ver outras pessoas). Tá, eu não posso negar que eu conheço algumas poucas pessoas que moram aqui, pessoas que trabalharam comigo na Nokia em São Paulo (a sede da Nokia nos EUA é aqui!!! Há menos de 3km de casa, acreditam???) e, claro, quero vê-los, mas não adianta porque eu quero meus amores, familiares e amigos queridos!!!

Posso falar? Eu conheço algumas pessoas que moraram fora e voltaram para o Brasil. E eu nunca entendia. Nunca. Eu, na minha cega paixão pelos EUA, achava absurdo voltarem. E agora eu entendo, ô se entendo. Aqui tem muita muita muita coisa boa. Tudo é mais barato e, em geral, de melhor qualidade. Tudo é acessível. Aqui as pessoas são livres de julgamentos alheios, podem ser e fazer o que quiserem. Aqui as pessoas são muito educadas e respeitam o próximo. Aqui o governo dá escolas públicas de qualidade, saneamento, saúde, emprego. (Não é nenhum paraíso, eu sei queridos “antiamericanos”, mas ainda é melhor do que é dado pelo governo no Brasil) Aqui tem muito menos corrupção. Aqui é a terra da oportunidade sim. Mas é tão, tão solitário… Eu faço parte de alguns grupos de mães brasileiras, um da região de NJ e NY e outro daqui do Texas e sabe o que eu percebo? Que elas se unem muito e, acredito, que seja porque não têm mais ninguém, porque é difícil “entrar” no mundinho dos americanos a não ser que você vá para a escola com eles, que cresça com eles. Não sei…

Enfim, é só um desabafo porque, até onde eu sei, minha mãe e eu não ganhamos na Mega…. E, já podem se preparar para rir de mim, daqui a poucos meses eu espero estar escrevendo como tudo aqui é lindo e maravilhoso! Hahaha A bipolar do blog, né?

P.S.: Hoje me fiz a promessa de assim que comprarmos uma casa, finco meu pé e não saio mais de lá. Faça chuva ou sol, estarei lá. Se quiser “mudança” eu reformo, mudo os móveis de lugar, mas chega de mudar de casa, não é meu povo?

P.S. 2: E, reafirmo, adorei o Texas! Aqui é um barato, lindo, limpo, organizado e muito legal! Não quero confundir alhos com bugalhos!
P.S.3: as fotos são do único dia que esquentou e foram nadar, da Marina dodói e da Lia e seus “selfies” que sempre acho no meu celular uns doas depois! Hehe

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