Me espera no portão pra você ver, que eu tô voltando pra casa! Me ver, que eu tô voltando pra casa outra vez!

Chegou ao fim. Nosso sonho americano está com os dias contados. 12, para ser mais exata. Estamos, como diz o Lulu Santos, voltando para casa outra vez! Felizes? Tristes? Arrependidos? Aliviados? Pode ser tudo isso ao mesmo tempo agora? Diz que sim, vai! Porque é um caldeirão de sentimentos, mas acima de tudo, estamos certos do que estamos fazendo.

O que aconteceu? Aconteceu que não nos adaptamos, não estamos felizes. Aconteceu que nos demos conta que ficar aqui mais dois anos “acostumados” não é o que queremos, não somos acomodados e queremos passar anos felizes, não somente “acostumados”. Aconteceu que é muito investimento emocional e financeiro para não estarmos felizes, para chorarmos diariamente. Muita coisa aconteceu e nada aconteceu. Nada especificamente, nada isoladamente, mas muita coisa nas nossas cabeças, corações e bolsos.

Como assim não estamos felizes? A ida das meninas  para a escola mexeu muito conosco. Claro que era uma questão de tempo, de adaptação. Mas nos perguntávamos se elas PRECISAVAM passar por aquilo tudo. Não tínhamos necessidade de submetê-las a essa adaptação. Obviamente essa não era a única questão, a solidão é um fator muito, muito importante. Quando a Marina adoeceu fiquei muito abalada, mesmo sendo somente uma gripe/tosse, mas me dei conta do quão sozinhos estamos aqui, quão desamparados. E, mais uma vez, sem necessidade. Pensar que na segunda-feira é aniversário da Marina e, mais uma vez, será uma comemoração de só nós quatro, é desesperador. Não somos só nós por opção, mas por não termos opção. E para que? Para que passar por isso? A gente não precisa.

Claro que sabíamos que não precisávamos antes mesmo de vir. Sabíamos que a nossa vida era confortável, que o Otávio cresceria profissionalmente mesmo sem esse mestrado. Sabíamos disso. Mas queríamos ter a experiência, acreditávamos que seria mais fácil, ou pelo menos, menos difícil. Queríamos abrir mais portas para o marido, sem dúvida. Por isso viemos. Nós dois já tínhamos morado fora e achávamos que aguentaríamos o tranco. Ledo engano.

Não adianta dizer que sem as crianças seria mais fácil, não sei. Talvez por não vermos elas sofrendo, sim. Ao mesmo tempo seria muito mais tedioso. Mas não dá para saber. Não adianta dizer que se tivéssemos ficado em NY seria mais fácil. Talvez por já estarmos adaptados e por ter mais coisas para fazer sim. Ao mesmo tempo assim que elas começassem as aulas teríamos o mesmo problema com adaptação, além do dinheiro ir embora mais rápido. E se o dólar não tivesse subido vertiginosamente, teria dado certo? Não sabemos, gastar menos seria muito melhor, óbvio, mas não era o único ponto. É difícil, muito difícil, apontar o que poderia fazer dar certo ou o que fez dar errado.

Estamos tristes por não ter dado certo como sonhamos e planejamos. Estamos felizes por voltar para casa, para as pessoas que amamos, para o conforto do nosso lar. (Tá, finge que a gente tem lar porque não quero nem pensar que não temos um cabide sequer! Socorro!) Estamos ansiosos para saber o que será de nós. Estamos voltando com menos dinheiro e mais maturidade. Estamos voltando sem emprego e sem casa. Onde pararemos? Onde faremos uma nova vida?

Queremos arrumar emprego logo, alugar um apartamento menor, comprar um carro usado e barato, matricular as meninas em uma escola e tocar a vida. Com o tempo mobiliamos como queremos, trocamos de carro e voltamos à vida como conhecíamos. Não temos pressa, não temos medo, não temos preguiça. Temos certeza que isso é o melhor para nós, e isso é o que importa, né? Chega de sofrimento. A vida tem que ser prazerosa, feliz, passa num piscar de olhos e ficar sofrendo porque “já estamos aqui mesmo” ou porque “mais um ou dois meses nos adaptaríamos” não faz sentido para nós.

Podem crer que eu já me imagino, daqui uns meses, sonhando com alguma comida daqui, ou com saudades da falta de trânsito e da segurança que temos hoje. Não estou me enganando. Mas hoje estamos curtindo a alegria de voltar pra casa! Vamos que vamos!

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26 pensamentos sobre “Me espera no portão pra você ver, que eu tô voltando pra casa! Me ver, que eu tô voltando pra casa outra vez!

  1. É engraçado como é o ser humano, né? Alguns de nós se adaptam à uma vida mais isolada ou são bem mais sociáveis. Outros precisam estar com pessoas familiares próximas, não importa onde estiverem. Sim, a vida nos EUA é melhor, mais fácil do que no Brasil, no sentido da praticidade, da comodidade, etc, mas que falta faz a família, né? Estou aqui no Brasil, com minha mãe, vendo meu pai perdendo a batalha contra o câncer e tudo que eu quero é não ter que voltar pra Londres nunca mais. Minhas meninas estão AMANDO isso daqui. Mas infelizmente nossa vida, nossa casa, nossas raízes são da Inglaterra. Por enquanto. Admiro-os muito pela coragem de largar tudo em busca do desconhecido e admiro mais ainda admitir que não foi como planejado e decidirem voltar. Quantas pessoas não ficariam, simplesmente por ficar, mas sem estarem felizes.

    • Chris, sempre penso em vc! Acho q quando casa-se c estrangeiro fora do Brasil fica + difícil ainda voltar, não? Ao msm tempo fica + fácil absorver outra cultura (no seu caso 2, a romena e a inglesa), pq vc respira outra cultura. E a saudade pode ser menor. Não sei…
      Sei q tomamos coragem msm e estamos dando a cara para bater! Rs Felizmente os dois abraçamos as causas, isso facilita mto. Mas ainda assim sabemos que teremos um longo caminho na reconstrução de tudo. Recomeçar é gostoso, mas n é fácil!
      Curta mto sua mami, abrace, beije e se declare mto p o seu pai! E volte p seu marido c as energias recarregadas!

  2. Concordo com a Chris. Admiro vcs em TUDO, principalmente porque estão sempre em busca da felicidade de vcs! Vc já sabe o tanto que eu te amo e o tanto que o meu coração está apertado. Não foi dessa vez. Rs mas to aqui, SEMPRE!

  3. Cunhadíssima, estamos todos aqui muito felizes com a sua volta. Nada do que tentamos na vida é diferente do que tudo que queremos. Não importa onde, como e quando… O mais importante é ter a consciência que tiveram… Venham de volta para o aconchego!!! Beijos e braços abertos!!!

  4. Flávia, nós vivemos essa aventura junto com vocês e pode ter certeza que os momentos bons superam muito os momentos ruins. E agora não vai ter desculpa, vocês vão ter que conhecer Mairiporã, hahahaha. Bjs.

  5. VIVA A MARINA !!!!!!!!!!!
    Parabéns, que o anjinho da guarda esteja sempre atento, protegendo e cuidando.

    Flavinha, tenho acompanhado seu blog, as aventuras, o dia a dia, as alegrias, as incertezas e principalmente a coragem de voces para enfrentar o desconhecido. Admiro muito voces por isso.

    Com certeza foi uma experiencia super rica em conhecimento, amadurecimento e mais união ainda entre voces, mas nada como ter familia e amigos por perto e, claro, colinho de mãe que em alguns momentos faz toda a diferença.

    Bom retorno, bora recomeçar, que com toda garra de voces vai ser mais facil, porque a vida é isso mesmo, sempre um recomeço.

    Beijo enorme pra voces, e super especial na princesa Marina (qual sera a fantasia de hoje ???)

    • Cris queridíssima, obrigada pelo carinho com a Marina, e com todos nós, sempre!
      Estamos voltando com toda a garra e vontade de fazer dar certo, com friozinho na barriga também, claro!
      Doida pra encontrá-los e conversar até falar chega!
      Beijinhos

  6. Flavinha! Parabéns pela coragem de vocês! Me lembrou de quando meu irmão do meio ganhou uma super bolsa para um super mega doutorado numa escola de ponta nos EUA. Ele foi sofrendo, ficou um ano sofrendo, reuniu forças e coragem e abandonou! Eu que estive com ele lá durantes uns dias desse ano, voltei arrasada querendo que ele largasse naquele momento e voltasse comigo pro Brasil. Ele voltou, no tempo dele. Foi a melhor decisão. Está muitíssimo bem colocado hoje.
    Beijos e muitas felicidades!,
    Mariana

    • Mari! Nossa, seu comentário foi o que mais mexeu comigo, no melhor sentido!
      Deu uma tranquilidade na escolha que estamos fazendo q vc não faz idéia! Obrigada!
      Fico feliz por saber que não somos os únicos e que, esperamos que não demore muito, a vida volta ao noemal!
      Obrigada mesmo por dividir essa história comigo!
      Beijos e, quem sabe desta vez não rola um encontro no Rio?

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