Apegada, eu???

Apegada nas coisas eu não sou, não sou mesmo. Todos sabem que vendi/doei tudo o que tínhamos antes de vir pra cá. Na volta não está sendo diferente. Não com relação às coisas, algumas vendas e muitas doações. Na volta está sendo diferente com relação às minhas filhas.

Pois é, a temporada americana da família foi linda e maravilhosa em termos de aproximação das filhas, passar mais tempo com elas, viver em função delas, etc. Muito legal, muito bom pra elas, muito bom pra gente. Isso não tem preço, isso terá resultado na formação delas para o resto da vida. Sim, tudo isso. Mas tem o lado ruim e eu vou contar pra vocês: eu não consigo mais me desligar delas.

Parece brincadeira, mas não é. Eu não consigo. Eu sofro só de pensar nelas longe dos meus olhos. Sofro mesmo, fico angustiada, meu coração acelera, suo frio, meio síndrome do pânico, de verdade. E não é pensar em coisas trágicas com elas (isso também, infelizmente, vive rondando minha cabecinha), mas de pensar nelas sob os cuidados de outras pessoas, qualquer pessoa, até mesmo com a minha mãe – que eu sempre confiei cegamente com as meninas. Eu continuo confiando na minha mãe, claro que continuo, mas o pavor de acontecer alguma coisa com elas e eu não estar junto é mais forte do que eu. Estou revivendo todo o meu “baby blues” das duas gestações, com o agravante que agora estou ainda mais apegada às duas do que quando eram recém-nascidas.

E elas também. Meu Deus, elas estão absurdamente grudadas em mim. Elas querem ficar em cima de mim o tempo inteiro, literalmente. Eu sento no sofá e as duas sobem em mim. Eu deito e as duas deitam em mim (no meu braço, na minha barriga, nas minhas pernas). Elas não me dão um único minuto de sossego. Querem que eu brinque com elas o tempo todo, me chamam sem parar. Hoje, para tomar banho, pela primeira vez na vida, eu tranquei a porta! Eu queria dez minutos só meus e só assim consegui! Isso porque tive que brigar com a Lia para ela sair do banheiro! Elas querem a minha atenção 24hs, têm acordado à noite com medo, têm falado sem parar e impossibilitado toda e qualquer conversa que eu tente ter com o Otávio ou com outra pessoa. Têm, têm, têm.

E, assim como você leitor deve ter concluído, eu também sei que é insegurança pura e simples. Insegurança delas e insegurança minha. No caso delas é não saber mesmo o que será da vida delas já que em menos de sete meses elas se mudarão pela terceira vez. Elas devem, inclusive, se perguntar se ficaremos todos juntos ou se irei doá-las como doamos tudo, como as camas que elas, novamente, perderam. A cabecinha delas ainda é muito literal. Já comigo é insegurança sobre o nosso paradeiro, sobre o nosso futuro profissional e financeiro, sobre a decisão acertada ou não de vir ou de ir. Claro que é insegurança. Eu sei, você sabe. Mas vai explicar isso para meu coração apertadinho só de pensar nelas longe de mim? A mamãe aqui está sem dormir, sem dormir por ansiedade, insegurança, curiosidade. A mamãe aqui tá penando.

P.S.: fotos do aniversário da Marina no Chuck e em casa, elas no jardim botânico de Dallas, e na principal estátua aqui em Irving.

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